Três amigos de longa data se reúnem nos finais de tarde na rua Tiradentes para cantar velhas modas de viola e, claro, contar muitas histórias.Foi–se o tempo em que as pessoas no final da tarde saíam de dentro de suas casas para bater um papo com o vizinho próximo na calçada. Conversas sobre o emprego, dificuldades pessoais e família permeavam a prosa dos moradores dos bairros das cidades. Hoje, a grande maioria permanece dentro das suas residências, preferindo muitas vezes a companhia solitária da televisão.
Porém, em Rio das Pedras, na rua Tiradentes, localizado no bairro Centro, existem três moradores que ao menos uma vez por semana se encontram para colocar a conversa em dia. Mas, também para compartilhar uma paixão muito admirada por eles: tocar e cantar música caipira.
Quem passa à noite na rua pode presenciar o trio de ferro “seu” Zé (José Estopa), Mineirinho (Antenor Soto Pietro) e Pedrinho (Pedro Guilherme) com seus violões tocando e cantando músicas caipiras. O local do encontro é sempre na frente da casa do seu “Zé”. No repertório dos músicos, estão as duplas que eles consideram as melhores até os dias de hoje, como Tião Carreiro e Pardinho, Tonico e Tinoco, Teodoro e Sampaio, Leôncio e Leonel. “As músicas são ótimas, elas contam histórias”, diz “Mineirinho”.
Além dessas apresentações, “seu” Zé, relembra um acontecimento que foi muito marcante na sua vida “Eu compunha algumas modas, e um dia o empresário de uma dupla sertaneja quis comprar a minha música, porém, não quis vender, achava que aqueles garotos não tinham futuro”, a história fica surpreendente quando ele revela que esses jovens eram César e Paulinho. “Não botava fé neles, mas hoje vejo que estava enganado”, completa, em meio às gargalhadas dos colegas.
O trio, com seus acordes, relembra através da música o passado, histórias vividas, alegrias, tristezas, amores perdidos. Para “seu” Zé, a grande inspiração da sua juventude foram as mulheres, já que as aventuras amorosas possibilitaram que ele compusesse uma moda em homenagem a sua amada da época, chamada “Suzana”. “Antigamente os jovens faziam serenatas para as suas paixões”, afirma.
Bucólico
E as músicas não trazem somente recordações aos músicos, a moradora da rua Tiradentes Sueli Rodrigues, aprecia o repertório tocado por eles, “Enquanto estou fazendo a janta para a minha família, vou ouvindo essas canções que me reportam a vida no sítio que eu tinha quando era menina, me trazendo ótimas recordações”,afirma. O encontro dos amigos possibilita ressuscitar a memória de um tempo perdido, em que homens iam a cavalo ao encontro da sua amada, em que o fogão de lenha preparava a comida e em que a estrada ainda era vermelha de terra...
Por André Rodrigues, originalmente publicado no jornal A Tribuna do município de Rio das Pedras-SP no período de janeiro de 2009.
E o André nos conta um pouquinho da sua grande cidade ... rs.
ResponderExcluirBeijos
Luana
Interessante. Que hoje eu estava andando pelo centro de São Paulo, agora a pouco, e vi um grupo de 4 moradores de rua, sentados na guia da calçada com um radinho de pilha ouvindo ruidos que nao consegui decifrar a natureza.
ResponderExcluirSerá que são atos comparáveis?
Muito bom o texto.
Abraços
Perfeito... bons tempos eram esses em que a "caixa preta" engolidora de mentes não era o centro da vida... e o que valia a pena era o outro ao meu lado... e principalmente de modas de viola que falanvam da vida do campo e nao em beber, mulher e etc...
ResponderExcluiras modas de antigamente falam sim em beber e mulher! e que graça teria a vida sem dinheiro cachaça e muié?
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