segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Trio de ferro na calçada da música

Três amigos de longa data se reúnem nos finais de tarde na rua Tiradentes para cantar velhas modas de viola e, claro, contar muitas histórias.


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Foi–se o tempo em que as pessoas no final da tarde saíam de dentro de suas casas para bater um papo com o vizinho próximo na calçada. Conversas sobre o emprego, dificuldades pessoais e família permeavam a prosa dos moradores dos bairros das cidades. Hoje, a grande maioria permanece dentro das suas residências, preferindo muitas vezes a companhia solitária da televisão.

Porém, em Rio das Pedras, na rua Tiradentes, localizado no bairro Centro, existem três moradores que ao menos uma vez por semana se encontram para colocar a conversa em dia. Mas, também para compartilhar uma paixão muito admirada por eles: tocar e cantar música caipira.

Quem passa à noite na rua pode presenciar o trio de ferro “seu” Zé (José Estopa), Mineirinho (Antenor Soto Pietro) e Pedrinho (Pedro Guilherme) com seus violões tocando e cantando músicas caipiras. O local do encontro é sempre na frente da casa do seu “Zé”. No repertório dos músicos, estão as duplas que eles consideram as melhores até os dias de hoje, como Tião Carreiro e Pardinho, Tonico e Tinoco, Teodoro e Sampaio, Leôncio e Leonel. “As músicas são ótimas, elas contam histórias”, diz “Mineirinho”.

Para eles, tocar é pura diversão, passatempo saudável entre amigos, que permite a alegria, o riso. Mas essa diversão descompromissada já rendeu alguns reconhecimentos, como a vez em que “seu” Zé e o “Mineirinho” foram convidados para tocar na Rádio Difusora. Alguns anos depois, “seu” Zé e Pedrinho, cantaram nas rádios de Piracicaba (Educativa e Educadora), além de uma apresentação na TV Beira Rio.

Além dessas apresentações, “seu” Zé, relembra um acontecimento que foi muito marcante na sua vida “Eu compunha algumas modas, e um dia o empresário de uma dupla sertaneja quis comprar a minha música, porém, não quis vender, achava que aqueles garotos não tinham futuro”, a história fica surpreendente quando ele revela que esses jovens eram César e Paulinho. “Não botava fé neles, mas hoje vejo que estava enganado”, completa, em meio às gargalhadas dos colegas.

O trio, com seus acordes, relembra através da música o passado, histórias vividas, alegrias, tristezas, amores perdidos. Para “seu” Zé, a grande inspiração da sua juventude foram as mulheres, já que as aventuras amorosas possibilitaram que ele compusesse uma moda em homenagem a sua amada da época, chamada “Suzana”. “Antigamente os jovens faziam serenatas para as suas paixões”, afirma.

Bucólico

E as músicas não trazem somente recordações aos músicos, a moradora da rua Tiradentes Sueli Rodrigues, aprecia o repertório tocado por eles, “Enquanto estou fazendo a janta para a minha família, vou ouvindo essas canções que me reportam a vida no sítio que eu tinha quando era menina, me trazendo ótimas recordações”,afirma. O encontro dos amigos possibilita ressuscitar a memória de um tempo perdido, em que homens iam a cavalo ao encontro da sua amada, em que o fogão de lenha preparava a comida e em que a estrada ainda era vermelha de terra...


Por André Rodrigues, originalmente publicado no jornal A Tribuna do município de Rio das Pedras-SP no período de janeiro de 2009.

4 comentários:

  1. E o André nos conta um pouquinho da sua grande cidade ... rs.

    Beijos
    Luana

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  2. Interessante. Que hoje eu estava andando pelo centro de São Paulo, agora a pouco, e vi um grupo de 4 moradores de rua, sentados na guia da calçada com um radinho de pilha ouvindo ruidos que nao consegui decifrar a natureza.
    Será que são atos comparáveis?
    Muito bom o texto.
    Abraços

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  3. Perfeito... bons tempos eram esses em que a "caixa preta" engolidora de mentes não era o centro da vida... e o que valia a pena era o outro ao meu lado... e principalmente de modas de viola que falanvam da vida do campo e nao em beber, mulher e etc...

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  4. as modas de antigamente falam sim em beber e mulher! e que graça teria a vida sem dinheiro cachaça e muié?

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