segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Vamos Celebrar?!


A minha intenção é realizar uma reflexão sobre o grande evento da sociedade capitalista de consumo chamado NATAL. Sei que este assunto é tratado ad nauseam nas ciências sociais que sempre bate com força neste movimento de compras desenfreadas, consumismo gratuito e todas essas coisas. Entretanto gostaria, se me permite o espaço, de fazer uma reflexão teológico-social, se é que isto existe.

Não é segredo para ninguém que o natal é uma festa cristã que celebra o nascimento de Jesus. Festa que foi uma resignificação da festa do deus sol da Roma antiga. E assim como o império cristão apoderou-se desta festa vejo que é visível o movimento do capitalismo na resignificação desta e de outras festas cristãs como a páscoa, que hoje está ligada a coelho da páscoa e chocolate e muito menos a ressurreição de Cristo.

O contraste é factual, pois a festa da encarnação do verbo é a festa do pobre, do humilde e do marginalizado como está dito em Fl 2, 6-11: “Ele tinha condição divina, mas esvaziou-se a si mesmo assumindo a condição de servo.” E em vez do menino surge a figura de um velho gordo chamado de papai Noel. O humilde, o pobre e o marginalizado já não são contemplados nesta celebração que requer roupas novas, novos eletrodomésticos e ceia farta de comidas e bebidas. A ostentação impera e os desposuídos não tem o que celebrar. As crianças esperam brinquedos do papai Noel, os adultos alguns dias de festa regadas a cerveja e muita carne. E eu me pergunto: será que por um minuto alguém lembra que se celebra o nascimento de um menino em uma estrebaria em meio a animais?

Não estou pretendendo aqui defender a igreja e nem mesmo Jesus, mas somente chamar atenção para o movimento de resegnificações que vivemos na atualidade. Em que tudo o que celebramos está perpassado pelo dinheiro. Nada mais é gratuito. É a monetarização de todos os espaços da nossa vida. Pagamos para viver a gratuidade da vida.


Por Alex Arbarotti

2 comentários:

  1. Sabe qual é a tatuagem preferida do papai noel?
    henna.

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  2. IUHAIUAHUIAHUIA eu ri com o comentário acima.

    Mas falando um pouco mais sério agora. Eu, e penso que todos os não cristãos, não temos pelo que celebrar nessa data, pouco me importa se um infeliz nasceu naquela estrebaria em meio a animais, acho que celebraria se ele não tivesse nascido.
    Já que a resignificação é constante - e necessária, eu diria - deveríamos, penso eu, não retomar o verdadeiro espirito do natal (h0u h0u h0u), e sim resignificar o natal, bem como todos os feriados com significados religiosos, em datas de significado social:
    "25 de dezembro "Dia do protesto político!" - Procure uma fraude política, qualquer mensalãozinho, qualquer picaretagem, organize seus amigos e indignados, e corra pegá-los!". É claro que isso foi um exemplo tonto (se bem que vendo agora, pareceu-me até interessante), mas aí sim, eu poderia comemorar o natal, não somente participar dele por formalismo. E não só eu, mas todos que participam de uma sociedade constituida de uma pluralidade religiosa e conceitual.

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